14 de maio de 2012

O CALICE DA AMARGURA


“Prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja feito como eu quero, mas  como tu queres.” - (Mateus, 26:39)

Afirma o evangelista Mateus que Jesus Cristo formulou veemente rogativa a Deus no sentido de passar dele a necessidade de tragar o cálice de amargura, simbolizado no sacrifício que se cumpriria no alto do Calvário. Após repetir a sua prece por três vezes consecutivas, não houve um deferimento favorável, e o drama da crucificação se cumpriu em todos os detalhes.

O Mestre, que havia preceituado: “Pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis e batei e abrir-se-vos-á” ali estava advogando o cancelamento ao martírio na cruz, entretanto não deixou de condicionar a sua vontade à soberana vontade de Deus. Nos desígnios do Pai o sacrifício do Calvário era um imperativo, sem o qual a doutrina que o Mestre viera trazer, não triunfaria na face da Terra, a ponto de, em três séculos apenas, causar a derrocada do Paganismo, solapando as precárias bases em que se fundamentava a religião dos povos mais poderosos da Terra.

Devemos nos lembrar que todos nós, em maior ou menor escala, temos um Calvário em nossa vida, por isso também em relação a nós o Criador não modifica a cada instante os seus desideratos superiores. Muitas das rogativas que erguemos a Deus não são aceitas porque assumimos compromissos espirituais importantes antes da nossa encarnação terrena, e se Deus for modificando o curso da nossa vida ao sabor da nossa vontade, é óbvio que ocorreria uma estagnação e dificilmente colimaríamos o nosso aprimoramento espiritual.

O advento de Jesus Cristo na Terra indubitavelmente exigiu intensa preparação espiritual, principalmente nos séculos que antecederam a sua integração no ambiente terreno. Se João Batista foi o seu precursor imediato, lembremo-nos de que muitos profetas de Israel também cooperaram para a sua vinda, fornecendo detalhes minuciosos sobre a sua inconfundível personalidade e esboçando, em linhas gerais, a razão primária da sua missão no seio da Humanidade.

A tarefa desenvolvida entre nós por Jesus Cristo não foi mera caminhada pelas estradas da Galiléia. Não foi também uma peregrinação com o objetivo de curar alguns paralíticos, restaurar a vista a alguns cegos, limpar alguns leprosos ou expelir alguns maus espíritos. O advento de Jesus foi algo de mais sublime, pois ele trouxe para a Humanidade uma mensagem de vida eterna, uma doutrina suscetível de impulsionar o gênero humano para os seus verdadeiros objetivos um código de moral que serviria de fundamento para a reforma moral dos indivíduos. O Messias veio para curar os doentes da alma e levantar aqueles que estão alquebrantados pelas tribulações da vida terrena. Veio também para convocar aqueles que malbarataram os valores que Deus, por excesso de misericórdia, lhes concedeu, despertando-os de uma inércia incompatível com a necessidade de reforma interior.

Se a missão desempenhada por Jesus Cristo demandou séculos de preparação, devemos também convir que a tarefa de muitos Espíritos que encamam na Terra, também exige preparação, planejamento e, sobretudo, obedecem a desígnios superiores, previamente estabelecidos.

Deste modo, podemos afirmar que nem todos os nossos apelos dirigidos ao Alto podem ser atendidos, uma vez que qualquer desvio em nossa vida poderá representar séculos de retardamento. A satisfação dos nossos desejos representaria a postergação de fatores que são imprescindíveis à nossa reforma espiritual.

Sendo a Terra uma imensa escola, na qual os nossos Espíritos se aprimoram, despojando-se de suas imperfeições, é lógico que deveremos assimilar todas as lições que nos são propiciadas, pois, se protelarmos o nosso aprendizado, além de adiarmos a nossa evolução, estaremos também contribuindo para o atravancamento do progresso espiritual da Humanidade, causando o retardamento no advento de uma nova era, quando o mundo será mais espiritualizado, mais moralizado e, sobretudo, mais evangelizado.



Paulo Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos

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