29 de maio de 2012

PARA QUE ORAR?

A questão aqui formulada é a da finalidade, ou seja, o que deveremos almejar através da prece.

A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir e agradecer. (O Livro dos Espíritos, questão 659)

Independente do caráter particular que possamos dar à nossa prece, num dado momento, seja o louvor, a súplica ou a gratidão, os Espíritos nos quiseram mostrar, com a resposta que deram, que essas três motivações devem estar presentes num mesmo ato oracional, para que, efetivamente, este se complete e atenda as suas finalidades. Outro ensinamento importante é a ordem com que foram enunciadas, que é a natural e, portanto, a que deve ser seguida por todos nós. Primeiro, o louvor, porque somente com o coração pleno de deslumbramento, admiração e reverência pelo Ser Supremo, poderemos abrir-nos ao sol da Sua misericórdia para, confiantes, rogarmos o de que necessitamos, e, ato contínuo, passarmos à gratidão, expressando o nosso reconhecimento pelas dádivas recebidas.

Analisemos, agora, a estrutura da oração dominical, o Pai Nosso, e descubramos que há nela uma ordenação de fases na seqüência louvor - súplica - gratidão, conforme enunciaram os Espíritos.

Ela se inicia com um ato de louvor: "Pai Nosso... santificado seja..."; passa à súplica, formulando as necessidades fundamentais do homem: "o reino, o pão, o perdão das ofensas e as forças para resistir ao mal..." e termina com outra expressão de louvor: "pois Teu é o reino, o poder e a glória...", na qual está implícita a gratidão.

Sentimento espontâneo, a gratidão brota do âmago, independente das palavras, sempre que oramos com fervor e sinceridade. Revela-se muito mais nos atos da alma reconhecida que transforma a sua vida num evangelho de feitos.

Afirma V. Monod, em mensagem inserida em o O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XXVII:

"Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a Ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos toca a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito , meu Pai ?!"



Manoel Philomeno de Miranda

Livro: Consciência e Mediunidade

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